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Operação Echelon: vitória da inteligência policial

Publicado em: 16 de Jun de 2018

A Polícia Civil de São Paulo cumpriu 63 mandados de prisão em 14 estados, na maior ação de inteligência para desarticular a coordenação nacional dos negócios da maior facção criminosa do país. No jargão criminal, a célula era chamada de Resumo dos Estados.

Em articulação com o Ministério Público (MP) e a Secretaria de Assuntos Prisionais (SAP), os policiais cumpriram também 55 mandados de busca e apreensão de documentos e provas do envolvimento dos criminosos com ordens de execução de policiais, agentes penitenciários e rivais. A operação permitiu o esclarecimento de alguns homicídios e impediu a execução de outros.

O setor denominado Resumo dos Estados cuidava da expansão dos negócios da facção com drogas e armas em estados brasileiros e cinco países – Colômbia, Guiana, Peru, Bolívia e Paraguai.

Nos quatro últimos anos, a facção triplicou de tamanho nos estados, saltando de 3 mil para pouco mais de 20 mil integrantes, segundo os investigadores. Consequência dessa expansão, a disputa de poder com facções locais resultou na explosão de uma guerra aberta dentro de presídios e nas ruas do Norte e Nordeste.

Em São Paulo, onde nasceu há 25 anos e cresceu, a facção teria hoje cerca de 10,9 mil integrantes. Exportaria pelo menos 1 tonelada de drogas, por mês. E manteria 200 postos de combustível nas mãos de laranjas para lavagem do dinheiro.

“A Polícia Civil e os policiais envolvidos na operação fizeram um grande trabalho”, avalia o presidente da ADPESP, Gustavo Mesquita, “que terá certamente grande impacto na articulação e nas finanças da facção criminosa”.

Ele afirma que a operação “foi também um exemplo de integração entre diferentes instituições (MP e SAP), com evidentes benefícios para a segurança pública”.
“Os resultados da operação mostram como vale à pena a sociedade e o estado investirem na inteligência policial”, analisa o presidente da ADPESP. “Os cabeças foram identificados e serão responsabilizados neste caso”, destaca.

Gustavo Mesquita entende que a facção não teria se expandido e fortalecido tanto, se o governo estadual não tivesse sucateado a Polícia Civil”. Hoje a corporação tem um déficit de 626 delegados e mais de 12.597 policiais civis de várias carreiras.