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Presidente da ADPESP cobra mais atenção do Estado

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Publicado em: 8 de Dez de 2020

Matéria publicada no jornal Diário do Grande ABC, impresso e online, em 08 de dezembro de 2020

O presidente da ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), Gustavo Mesquita Galvão Bueno, afirmou que o governador João Doria (PSDB) não cumpriu a promessa de campanha de investir na segurança pública, e definiu os problemas da Polícia Civil do Estado no que chamou de tripé, citando o déficit de 817 delegados e 9.000 policiais – 761 no Grande ABC –, além da precariedade estrutural e os baixos salários, que classifica como “os piores de todo o País”.

Segundo a entidade, o Estado conta atualmente com efetivo de 23 mil policiais civis, porém, a quantidade mínima prevista em lei seria de 32 mil. Já a legislação complementar, conforme a Lei 1.152/2011, diz que a carreira de delegado de polícia é composta por 3.463 cargos, mas São Paulo mantém atualmente 2.646 ativos.

“A Polícia Civil do Estado enfrenta sérios problemas, que já persistem há décadas. Além do déficit no quadro, outro fator é a questão estrutural, já que as delegacias não têm instalações suficientes, os armamentos são de má qualidade e os equipamentos de proteção, muitas vezes, são insuficientes”, explanou Mesquita, explicando que, às vezes, faltam até mesmo insumos básicos, como produtos de higiene.

Já as críticas de Mesquita em relação aos vencimentos se devem ao fato de justamente o Estado mais rico da federação pagar os salários mais baixos à Polícia Civil, “que se põe sob risco pela garantia da segurança da população”.

Os valores recebidos pelos agentes em São Paulo estão em 24º no ranking dos municípios do País, mas os de delegados aparecem em último lugar, com contracheque de R$ 10.079,28 – o maior é o do Mato Grosso com R$ 22.006,01.

O presidente da ADPESP reforçou que na mesma medida que se tem bons policiais, muitos deixam a carreira e buscam emprego em outro Estado, ou até áreas, diante da desvalorização da categoria. “Não adianta gastar com formação e não investir nos profissionais”, disse o dirigente da Associação.

O delegado afirma que atualmente o Estado está “enxugando gelo”, já que “não valoriza sua polícia”. “A questão salarial é um ponto fundamental a ser visto. Não só porque representa justiça ao risco que o policial corre diariamente, mas também porque se torna uma falha de política pública”, defendeu Mesquita.

Segundo o profissional, hoje os policiais têm de trabalhar em revezamento, muitas vezes, se dividindo em três delegacias. “O governador João Doria, segundo seu discurso, se elegeu com a bandeira principal de melhorar a segurança pública, com ações efetivas que valorizassem suas forças policiais”, explicou, ao defender que não foram cumpridas as promessas, fazendo alusão à nomeação de cerca de 800 policiais, sendo 32 delegados. “É uma medida importante, mas que em termos numéricos representa apenas 6% do déficit. Ainda está muito longe de suprir a necessidade do efetivo”, pontuou.

Para Mesquita, o governo “precisa ter vontade política”, e criticou declaração do governador quando disse que sua polícia é a mais bem equipada do Estado. “O trabalho da polícia é investigar crimes. Se falta polícia, haverá crimes que deixam de ser investigados em sua plenitude”, explicou.

Mesquita afirma que a entidade mantém diversos projetos para valorização e melhoria do serviço prestado pela Polícia Civil, e pontua que as portas da associação seguem abertas para diálogo com o governo, que, segundo ele, “perde muito deixando de conversar”. “Nosso partido é a Polícia Civil. Não estou aqui para defender ou estar contra um político, e sim, para defender o que é bom para nós. Meu dever é o de apontar as falhas do governo, não porque quero criticar, porque é preciso. Embora seja uma associação de delegados, prezamos pela segurança pública da população e pela defesa de toda a categoria de Polícia Judiciária”, finalizou Mesquita.

 

Matéria publicada no jornal Diário do Grande ABC, impresso e online, em 08 de dezembro de 2020.

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