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Enfrentamento ao crime organizado é foco do 2º painel do IACC

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14 de novembro, 2018

No segundo painel do Fórum de Inteligência Aplicada para o Combate à Criminalidade (IACC), o enfrentamento ao crime organizado e à corrupção foram alvos de considerações do delegado de Polícia Federal e deputado federal, Marcelo Freitas, e do juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Juízes (CNJ) do Supremo Tribunal Federal, Rodrigo Capaz. O presidente da ADPESP, Gustavo Mesquita, exerceu o papel de moderador.

O combate à corrupção precisa se tornar hábito no Brasil, segundo Marcelo Freitas. Para ilustrar tal observação, ele apresentou dados bastante significativos, como o a seguir.

“A ação que rouba dinheiro público é muito pior que as ações criminosas. Mas os corruptos representam apenas 0,12% dos nossos presos”, ele frisou.

O fato de o Primeiro Comando da Capital ter como nascedouro São Paulo, sem que haja um trabalho aprofundado para sufocar tal facção criminosa, serviu a comentários de Marcelo Freitas.

“Desde 2009 eu brigo pela autonomia da Polícia Federal. O crime organizado não pode ser algo institucionalizado. O Estado não pode ser tomado de assalto”, ressaltou o palestrante, em referência à benevolência do governo estadual, há anos, com o PCC.

Rodrigo Capez trouxe à discussão o exemplo de combate à máfia italiana, organização criminosa cujos membros atuam de forma quase que oculta, com estratégias de infiltração em instituições – inclusive de gestão pública – e entre formadores de opinião da sociedade civil.

“A legislação italiana destaca a presunção de medida cautelar e alta periculosidade, nesses casos, e permite a prisão preventiva. Uma situação de perigo já basta, exclusivamente para os mafiosos. No crime organizado no Brasil, isso se justifica?”, indagou o representante do CNJ.

A plateia participou com questionamentos. Um deles foi sobre a criticidade dos crimes servir de parâmetro para os trabalhos mais céleres da Justiça. Frente ao tema, Rodrigo Capez propôs reflexões.

“A seletividade de crimes depende de legislação. Isso vai ao encontro da nossa cultura? É o que queremos ou vamos romper com essa cultura?”, colocou o palestrante.

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