Notícias

ADPESP contrapõe informações concedidas pelo vice-governador em entrevista à Rádio Jovem Pan

Posted by:

5 de março, 2020

Em entrevista ao Programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, nesta quarta-feira, 4, o vice-governador Rodrigo Garcia mencionou a política de bônus como grande ato para valorização dos servidores policiais.

A prática, criticada há muito tempo pela ADPESP, vem sendo adotada pelo PSDB nos últimos anos, e constitui ineficaz e equivocado método de valorização.

Bônus não é salário.

Preliminarmente, deve-se esclarecer que os critérios adotados para cálculo da bonificação não são aptos a aferir a atividade de Polícia Judiciária. Nesse ponto, carece entendimento técnico ao Executivo, no sentido de compreender que a polícia judiciária – que é a investigativa – exerce funções bastante diferentes da polícia ostensiva (PM). Desta forma, mesclar critérios de instituições tão diferentes acaba por gerar distorções que prejudicam não só os servidores policiais civis, como toda a sociedade. Some-se ainda alguns departamentos da Polícia Civil, como a Corregedoria, que embora exerçam atos de Polícia Judiciária, não são contemplados por tais critérios.

A argumentação do vice-governador, de que os bônus funcionam como na iniciativa privada (onde deve-se produzir mais para receber mais), constitui, respeitosamente, uma afronta aos servidores que exercem função pública essencial ao Estado. O resultado pretendido – diminuição de índices criminais – depende de múltiplos fatores que vão além das forças policiais.

Também deixou de ser pontuado pelo mandatário que, apesar do citado aumento no valor do bônus, ocorreu a limitação da quantia recebida que passou a ser repartida em mais vezes: agora bimestralmente.

Esperamos e rogamos pela valorização dos policiais civis, prometida pelo governador João Doria ainda em campanha e no primeiro ano de mandato. No entanto, difícil crer que com a concessão de 5% de reajuste no primeiro ano, e a promessa de um segundo reajuste apenas para 2021, o cumprimento da promessa, de elevar os salários dos policiais civis paulistas ao segundo maior da federação, se concretizará.

Registre-se, por fim, que a rápida aprovação da reforma da Previdência e da alíquota progressiva de até 16% fará com que os policiais civis do estado de São Paulo, ao término de 2020, recebam salário com menor poder de compra do que em 2019.

A ADPESP continua à disposição da sociedade e do governo para contribuir no aperfeiçoamento da segurança pública e quer continuar acreditando que o governador do estado mais rico da federação reconhece o valor da palavra empenhada.

0